Justiça torna réus ex

Operação Cavalo de Troia e os réus envolvidos

A Justiça de Bauru tornou réus seis investigados na Operação Cavalo de Troia, que investiga casos de fraude na licitação do lixo. Os réus incluem três ex-secretários municipais, identificados como Cilene Chabuh Bordezan, Vitor João de Freitas Costa e Sara Moura de Jesus, além do CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle. Outra pessoa, um consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), está foragido.

As investigações tiveram início em março após denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis. Segundo as apurações, os acusados teriam envolvimento em um esquema que visava direcionar um contrato de gerenciamento de resíduos sólidos urbanos avaliado em R$ 5,2 bilhões, o maior da história do município. Escutas telefônicas revelaram que havia tentativas de manipulação do edital de licitação.

A operação resultou na apreensão de R$ 240 mil em espécie na residência de um dos ex-secretários. Ao todo, os seis réus enfrentam acusações de organização criminosa, frustração do caráter competitivo da licitação, contratação direta ilegal e corrupção, tanto ativa quanto passiva. Também foram citados casos de falsidade documental relatados nas investigações.

fraude na licitação do lixo

Os detalhes da investigação e os crimes denunciados

O Ministério Público de São Paulo, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), contou com o suporte da polícia para conduzir esta investigação. O caso ganhou notoriedade após denúncias de ameaças a membros da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam). Valdomiro Pereira da Silva Filho, ligado à presidente da associação, Gisele Moretti, é apontado como uma figura essencial no esquema de intimidação e articulação para a fraude na licitação do lixo.

Os diálogos interceptados pelos investigadores revelaram que o casal estava coordenando a solicitação de propinas para que o contrato de coleta de lixo fosse direcionado à Estre Ambiental. A busca por infiltrados na Câmara Municipal também foi um ponto central das investigações, visto que o grupo tentava garantir apoio à concessão sob análise. Além disso, a ex-secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, tinha relações pessoais com o CEO da Estre, o que levantou ainda mais suspeitas sobre a legalidade das decisões tomadas durante o processo.

A Operação Mobius, que corre em paralelo, investiga desvios em contratos de coleta seletiva e gestão de ecopontos, envolvendo irregularidades de recursos em contratos que não passaram por licitação pública. A investigação sobre a fraude na licitação do lixo em Bauru abre um importante capítulo sobre a necessidade de maior transparência e controle nessas contratações públicas.