Renato Purini, ex-secretário municipal e marido da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim, foi preso durante a Operação Cavalo de Troia. O Ministério Público investiga seu envolvimento em um esquema de fraudes na concessão de serviços de coleta e gestão de resíduos na cidade.
Prisão e investigações em Bauru
No dia 16 de outubro de 2026, o ex-secretário municipal de Governo de Bauru, Renato Purini, foi preso durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), na chamada Operação Cavalo de Troia. As investigações revelaram que Purini atuava como uma importante figura política em um esquema de corrupção e fraude na concessão do lixo na cidade.
De acordo com os documentos enviados pelo MP-SP, Renato Purini é casado com a atual prefeita de Bauru, Suéllen Rosim. Ele e outros envolvidos foram acusados de orquestrar um esquema de fraudes que visava alterar o processo de concessão de resíduos sólidos, um contrato estimado em R$ 5,2 bilhões por um período de 30 anos. A investigação apontou que o grupo contava com colaboradores infiltrados na administração municipal.

Repasses financeiros da Estre Ambiental
As apurações indicaram que Purini teria recebido cerca de R$ 750 mil da empresa Estre Ambiental por meio de um advogado intermediário, além de uma cobrança extra de R$ 90 mil. Esta quantia era justificada como pagamento por serviços jurídicos, porém, segundo as investigações, era na verdade parte de um esquema para obter apoio político favorecendo a aprovação do projeto de concessão do lixo.
Interceptações telefônicas revelaram que as transações financeiras tinham como objetivo ocultar a origem e a finalidade dos pagamentos. Mensagens entre Purini e outros envolvidos mostravam discussões sobre como obter mais apoio na Câmara Municipal para aprovar o projeto da concessão, evidenciando a natureza corrupta do envolvimento do ex-secretário.
Articulações políticas e fraudes na Câmara Municipal
As investigações revelaram que Renato Purini estava ativamente monitorando a atuação de vereadores durante a votação do projeto de concessão do lixo. Conversas interceptadas mostraram que ele mantinha contato próximo com diversos parlamentares e, em algumas ocasiões, chegou a retê-los para forçar a aprovação de sua proposta.
A situação se agravou quando um dos diálogos citou a vereadora Estela Almagro, que supostamente teria recebido pagamento para viajar no dia da votação, mas não o fez, levantando suspeitas sobre sua atuação na questão da concessão. As operações do Gaeco se intensificaram com a descoberta de que Purini e outros envolvidos estavam manipulando o processo de licitação, visando beneficiar a Estre Ambiental.
Com a prisão de Purini e a ampliação das investigações, o MP-SP pretende aprofundar a apuração em torno do esquema de fraude na concessão do lixo, que vem levantando preocupações sobre a corrupção na administração pública de Bauru.


